Ambiente e ecoliteracia

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na novíssima

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Recensão

Título: O PLANETA AZUL

Texto: Luísa Ducla Soares

Ilustrações: Gisela Miravent

Data da edição: 2008

Editora: Civilização

Local de edição: Porto

ISBN: 978-972-26-2789-4

Público-alvo: pré-leitores leitores iniciais leitores medianos leitores autónomos

 

No mesmo ano em que editou O Mar (Gatafunho), Luísa Ducla Soares regressa à temática ambiental com esta coletânea de 33 poemas. Nela se plasmam diferentes facetas do planeta Terra, das suas paisagens, dos seus variados habitantes. O universo natural ocupa, por isso, um lugar de relevo, percorrendo muitas das composições.

Assim, é possível ler textos onde é explicitada a referência à necessidade de proteger a Terra contra os mais variados ataques ambientais, com especial relevo para a poluição, por exemplo, como acontece em «Planeta Azul», «Canção da Terra» ou «A Nossa Terra», a par de outros onde o sujeito poético faz um elogio do espaço natural, descrevendo a sua riqueza e beleza, como acontece em «Louvor» ou em «Poema Verde». Nestes, a perspetiva adotada parece simular o olhar infantil, inaugural e maravilhado, perante a novidade e a variedade que o mundo natural apresenta. Leiam-se, nesta linha, os poemas «É lá» e «O Canto».

Os animais, mais ou menos próximos, também são alvo de poetização, às vezes de cunho humorístico, próximo do nonsensical, como acontece em «Queridos animais».

A realidade urbana também é alvo de revisitação, às vezes por comparação com o universo rural («Pastor na Cidade»). Nestes casos, para além de se mostrarem diferentes formas de o Homem se relacionar com o meio, parece ler-se uma certa nostalgia do ambiente natural, uma espécie de secreto desejo de regresso às origens, como acontece em «Casas» e «Desejos». Veja-se, igualmente, o relevo da paisagem aquática, sobretudo a marítima, em «O Búzio», «Estrela-do-Mar» e também em «Caranguejo».

As estações do ano e as diversas manifestações climatéricas, como o sol ou a chuva, são motivos poéticos assíduos, possibilitando o tratamento da diversidade da paisagem, muitas vezes sob a forma cromática («Chuva», «A Rosa de Areia», «Primavera à Janela», «Outono») ou mesmo sensorial («Tangerina»).

Do ponto de vista formal, destaque-se o relevo ocupado pelas formas tradicionais, como a quadra e a redondilha, e pela rima cruzada. Em alguns casos, a autora opta mesmo por glosar motes tradicionais, recuperando alguns motivos conhecidos da literatura oral. A vertente lúdica é mais visível em textos que brincam com os sons e com as palavras, valorizando o significante, como acontece em «Palmira e as Palmeiras» ou, em menos escala, em «A Graça da Garça».

As ilustrações são o ponto menos conseguido de uma publicação onde, de diferentes formas, se apela a um olhar mais atento, e mais informado também, sobre o Planeta Terra. Ao lado da sugestão de fruição da beleza que caracteriza a Natureza, ela é apresentada como entidade frágil, que precisa de ser activamente protegida e defendida, pela preservação de um equilíbrio que é também o do homem. A voz crítica da autora faz-se ouvir igualmente na denúncia do consumismo exagerado e devorador e de um certo afastamento ou indiferença do Homem em relação à Natureza («Valor», «Escolha» e «Centro Comercial»), abrindo consideravelmente o leque de temáticas e de referências do tema central de um volume onde a questão ecológica é central.

 

Ramos, A. M. & Ramos, R., 2010

 


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